PC 10 anos | Você lembra da Banca do DAC?

Antes as provas eram realizadas somente 3 vezes por ano em várias localidades do país, geralmente escolas públicas e aeroclubes eram locados pelo DAC.

Obs: o texto é referente aos anos de 2005 e 2006.

Após o pagamento da GRU (Guia de Recolhimento da União), essa ficha era entregue nos postos do DAC e o aluno ficava com o “canhoto”.
Em 2005 o portal pilotocomercial ensinou como preenchê-la corretamente.

Eram dois dias de banca.
No primeiro dia PP/CMS (demanda muito maior) e no outro as demais habilitações.
Muitos alunos iam uniformizados, representando suas escolas.

O portal pilotocomercial visitava vários pontos para conversar e apoiar os candidatos. Veja a viatura personalizada…

Já acontecia a transição DAC/ANAC…

No fim do segundo dia todos ficavam apreensivos com o Gabarito Provisório, pois ainda tinha o definitivo que demorava semanas até sair pelo fato da ocorrência de recursos.

No início a ANAC não divulgava os gabaritos na internet e sim os enviava por fax para algumas unidades (antigos SERACs) e estas colavam na porta. Muitos candidatos sequer ficavam sabendo e dependiam de outros que faziam plantão no local.

Foi aí que o portal pilotocomercial solicitou também uma cópia deste para a Agência e era gentilmente fornecida.
A “foto” do fax não ficava muito boa (muita vezes a letra “B” era confundida com a “D”) e a página do portal até saía do ar de tanto acesso simultâneo!

O interessante (e às vezes constrangedor) é que o resultado informava as matérias que o candidato foi reprovado. Com isso os colegas partiam para os “elogios”.

Em 2006 foi implantado o sistema online, inicialmente para PPAe PPH.
Abaixo um trecho do Edital.

edital_banca_online_2006

Exame Teórico: Depoimento de Sérgio Jeronymo Júnior

Quando eu fiz 18 anos em 1982, tirei o breve de piloto privado e, naquela época, a aviação era administrada 100% pela Força Aérea. Fiz o curso Teórico e Prático no Aeroclube de São Paulo.

Os exames teóricos eram realizados em faculdades como USP ou Fatec. Na sala, ficavam soldados da aeronáutica verificando tudo, para o caso de alguém colar, e só podíamos usar a régua para cálculos de navegação.

Durante a prova, tínhamos que fazer todos os cálculos de navegação a lápis. Precisávamos entregá-los, junto com o restante da prova, para que eles pudessem verificar que realmente tínhamos feito os cálculos.

Depois que terminávamos as provas, havia um cartão com todas as matérias e as respectivas colunas. Ex: navegação: perguntas nº 1 a 20 – respostas: A até D. Conforme a resposta que achávamos que era a certa, tínhamos que furar a letra da resposta, e sempre usei a ponta do compasso. Era necessário muito cuidado para não furar a resposta errada. No final, esse cartão era entregue junto com a prova, que posteriormente era colocado no computador para que as respostas fossem lidas. Demorava cerca de 2 meses para sair o resultado do exame, pois a leitura dos cartões era realizada apenas no Rio de Janeiro. Os resultados eram colocados na sala do SERAC, que ficava no Aeroporto de Congonhas.

Nos exames práticos, éramos checados por pilotos civis. O meu checador de piloto comercial era um comandante de AIRBUS da VASP. Imaginem só como era! Os exames de IFR eram feitos por pilotos militares.

Na época, fazíamos os treinamentos em Jundiaí e região e, muita vezes, em Cumbica, que era uma base militar. Era na época em que pousavam 727, 737, Electra, das companhias VASP, TRANSBRASIL, VARIG, CRUZEIRO. Tenho muitas saudades de tudo.

O que prejudicou muitos pilotos desse tempo foi a falência dessas empresas. Havia pilotos de Boeing com várias horas de voo desempregados.

Espero ter passado um pouco da minha experiência para vocês.

Sergio_Jeronymo_Jr._Minha_historia_na_aviacao(4)