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terça, 7 de fevereiro de 2012
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6/11/2006 13:21:33  
   
Veja fotos da homenagem frustrada a Santos Dumont na França  
    
A resposta é simples: o 14bis é algo diferente e cuidadosamente equilibrado. É o estado da arte de 1906.  
   
Por YGS  
   
 

No último dia 5 de novembro, uma réplica muito imprecisa do 14bis original fracassou num vôo comemorativo em Paris, enquanto outra, bem mais cuidadosa, costuma voar sem problemas.  Por que a réplica cuidadosa decola e as cópias ficam no chão?


Piloto brasileiro Danielo Fuchs iria apresentar sua réplica

A resposta é simples: o 14bis é algo diferente e cuidadosamente equilibrado. É o estado da arte de 1906. Juntou o que havia de mais avançado e foi feito com um estudo detalhado do equilíbrio. Ele é minimal: não há nada supérfluo. Quando se tenta inovar, se quebra a cara. Melhorar o 14bis, com outros materiais, outros comandos etc., leva a um desequilíbrio, e o avião não voa. Já respeitar o que foi feito em 1906 leva a um avião que voa.


Após percorrer 150 metros, no entanto, a aeronave quebrou parte da asa e não levantou vôo.

O dia 12 de novembro de 1906 é a data em que os dois primeiros recordes homologados pela Federação Aeronáutica Internacional foram batidos: distância (220 m voados) e velocidade. O 14bis foi o primeiro avião que foi capaz de decolar e deu aos outros inventores a chave de um dos problemas cruciais da aviação: como transferir o equilíbrio no momento de transição, quando as forças que o chão faz sobre a aeronave vão sendo transferidas por forças produzidas pelo fluxo de ar. Essa transição é mágica e dificílima de entender, pois a forças do ar são “transparentes”. Não se vê o ponto de apoio do avião.


Apresentação ocorreu no campo de Bagatelle, onde Santos Dumont fez seu primeiro vôo há cem anos.

É essa a contribuição de Santos-Dumont e por isso todos os outros inventores começaram a decolar e a voar em 1907: Blériot, Voisin, Curtiss, Farman, Esnault-Pelterie...


Antes do vexame, o ex-coronel da Aeronáutica Danilo Fuchs posou para fotos com sua réplica do 14 bis.

A diferença entre a visão desses inventores e a visão dos irmãos Wright (ou do também americano Samuel Langley) estava no fato de que os primeiros queriam o avião completo, um meio de transporte, que poderia ser auto-suficiente. Já os Wright achavam que o avião seria um esporte ou teria um uso militar. A decolagem não era um ponto importante. Importante era controlar o vôo. Langley pensava do mesmo jeito e por isso projetou o Aerodrome lançado por catapulta. O futuro mostrou que eles estavam errados.


Antes de quebrar, a cópia da famosa aeronave do aviador brasileiro foi admirada pelos franceses.


Henrique Lins de Barros é físico do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas e autor de diversos livros sobre Santos-Dumont e a invenção do vôo, entre eles "Desafio de Voar" (Metalivros).

 
 
 
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